Edição Atual

Revista Sísifo – Feira de Santana – v. 1, n. 1 (2014-)

nº 7 maio 2018

Dossiê: Melancolia e angústia na modernidade
Organização: Bruna Torlay

Dossiê: Bento Prado Jr.
Organização: Luciano Donizetti da Silva

Filosofia – Periódicos I

ISSN: 2359-3121

APRESENTAÇÃO


Qual a diferença entre a melancolia de ontem e a melancolia de hoje? Tão semelhante é este sentimento que trava na garganta, guilhotinando o pescoço de dentro. Liberdade até podemos ainda ter, mas o fio da lâmina golpeia-nos, manchando o tecido da memória impossível de lavar. Golpe cru que ressoa através das lembranças, assassinando a democracia das imagens que espontaneamente flutuam em direção à superfície; mancha que esconde a pluralidade para manter a singularidade da angústia maledicente que banqueteia da ausência. A melancolia de ontem e a melancolia de hoje dão salves para o alto, disparando secamente enquanto engordam com o que não desce pela cabeça decepada. Sentimento passageiro, a melancolia deixa suas marcas no pescoço toscamente costurado, como boneco de pano que lentamente aprende poesia se valendo da própria angústia para destronar os golpes inautênticos que amputam sua lucidez.

Esta é uma edição especial de nossa Revista Sísifo, contando com dois dossiês figurando temáticas pouco óbvias e que demarcam certa importância para atingirmos a maturidade da reflexão filosófica – um marco especial para esta publicação no mês que marca seu terceiro ano de existência. O primeiro dossiê Melancolia e angústia na modernidade, organizado por Bruna Torlay, encontra estes sentimentos que perpassam pela vida e que usualmente são vistos como empecilho para a sequência de uma existência bem vivida; a melancolia e a angústia, sentimentos que orbitam os redores do que é mais comumente chamado tristeza, são levadas do campo do subjetivo para o corpóreo para que mais facilmente se busque um fim para a sua persistência – mas e se ao invés de buscarmos o imediato encerramento destes sentimentos, voltarmo-nos para o interior e inquerir estes sentimentos? Um passo dado e estes sentimentos abandonam a via da praticidade, da produtividade, do ser humano mecânico, para adentrar no campo da criatividade. E é assim que neste dossiê encontramos o chamado às letras buscando o confronto com este sentimento que, apesar de ser confrontando como impotência produtiva, já se mostrou como aliado de quem toma a pluma em mãos e realiza este voltar-se a si mesmo.

O segundo dossiê é uma homenagem ao filósofo brasileiro Bento Prado Jr, organizado por Luciano Donizetti, numa colaboração com algumas ex-colegas e ex-alunos deste que foi um dos grandes autores que a filosofia encontrou neste território e neste idioma. Delimitamos a questão do idioma porque Bento começou a fazer filosofia, e a estudar filosofia – são duas coisas distintas – quando o que se encontrava em língua portuguesa era ainda muito escasso, o que frequentemente exigia a ida dos pesquisadores a nações estrangeiras conseguir o suporte material para sua pesquisa; e assim fez Bento ao estudar Bergson em sua formação, numa pesquisa ainda muito bem quista por leitores do filósofo – leitura incontornável. Eis então uma qualidade que podemos encontrar neste autor, a lida com a língua portuguesa, lendo seus textos em francês e alemão e transformando em alimento para pensamento de Brasil falante de português ainda carente de tais esforços.

Equipe Editorial

TEXTOS

DOSSIÊ: MELANCOLIA E ANGÚSTIA NA MODERNIDADE
Organizadora: Bruna Torlay

Diogo Bogéa

Bruna Torlay entrevista Ivan Frias

Bruna Torlay

Paloma Volski Mariano
Revson Costa dos Santos

Isabela Mendes

Mauricio Silva Alves


DOSSIÊ: BENTO PRADO JR.
Organizador: Luciano Donizetti da Silva


Nilo Henrique Neves dos Reis