O ressignificar da vida na perspectiva camusiana

 Revista Sísifo. N° 12, Julho/Dezembro 2020. ISSN 2359-3121. www.revistasisifo.com

Cosme da Rocha - Graduação em Filosofia Bacharelado pela Católica de Vitória Centro Universitário. Graduação em Letras e pós-graduado em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela MULTIVIX-ES. E-mail: cosmedarocha@hotmail.com.

Talita Cristina Garcia - Graduação em Filosofia pela Universidade São Judas Tadeu. Mestrado e Doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo. Professora na Católica de Vitória Centro Universitário. E-mail: tgarcia@ucv.edu.br

 


 

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RESUMO Este artigo deseja realizar uma reflexão sobre o valor da vida, se de fato ela tem sentido e como proceder mediante aos desafios inerentes a todos. O objetivo desta verificação é utilizar de ideias de Albert Camus, filósofo contemporâneo, para fomentar reflexões acerca da importância de se viver. Utilizando-se de revisão bibliográfica, foi possível perceber a problemática encontrada na realidade humana, frente aos dilemas do ser intencional, movido por desejos, vontades e impulsos. Quando o sujeito denota uma realidade sem possibilidades, sua condição humana se esvai e o homem não será capaz de viver o absurdo da vida. Viver a maravilha do caos é ser resiliente. A morte nesta condição inerente do absurdo é a resposta ao destino humano. Portanto, é possível encontrar sentido para vida? Entender o absurdo, ou tentar pelo menos, é compreender a necessidade de aceitar com maturidade e resiliência a frágil condição humana. O homem se mostra ínfimo, mediante a toda complexidade do mundo e também do eu, mas isto não será sinal de derrota e fracasso, e sim, um sujeito que vive apesar das dificuldades da vida.           

Palavras-chave: Humanidade. Morte. Resiliência. Vida.

 

ABSTRACT This article aims to reflect about the value of life, whether it really makes sense and how to proceed through the challenges inherent to everyone. The purpose of this verification is to use ideas from Albert Camus, contemporary philosopher, to foster reflections on the importance of living. Using a bibliographic review, it was possible to perceive the problem encountered in human reality, facing the dilemmas of intentional being, driven by desires, wills, impulses. When the subject denotes a reality without possibilities, his human condition fades away and man will not be able to live the absurdity of life. Living the wonder of chaos is to be resilient. Death in this inherent condition of the absurd is the answer to human destiny. So, is it possible to find meaning for life? The understanding of the absurd, or give it a try at least, is to understand the need to accept with maturity and resilience the frail human condition. Man is tiny in all the complexity of the world and also of self, but this will not be a sign of defeat and failure, but the, a subject who lives in spite of difficulties of life.

 

Keywords: Humanity. Death. Resilience. Life.

 

1 INTRODUÇÃO

Muito já se questionou acerca da vida, sua importância ou não, sua necessidade ou mesmo contingência. O valor da vida é uma temática recorrente aos mais diferentes grupos existentes. As interrogações feitas ao homem frente a sua angústia particular, estabelece-o a uma condição de desespero, sem respostas.  Numa sociedade tão moderna e rápida, coisas simples da vida se tornam vazias, sem graça, tristes. Por vezes, a vida se tornou rígida e insensível as suas mazelas cotidianas.

Albert Camus (1913 - 1960), filósofo contemporâneo, consternado com os horrores de grandes guerras, aponta para algo que responde aos descontentamentos da vida: o suicídio (CAMUS, 2018). Camus provoca uma reflexão e questiona se de fato tal gesto dará uma solução aos problemas do viver. As pessoas buscam sentido para as suas realidades mais diversas, e por isso, na contínua procura por uma significação se lançam por variadas possibilidades de mudança.

Renunciar a realidade de viver é limitar a condição biológica do indivíduo dotado da racionalidade. O absurdo proposto por Camus (2018) confronta a temática do suicídio, que segundo este pensador argelino, se apresenta como o único problema filosófico de fato. Para ele, a vida será objeto de questionamento ou de sua não valoração. De acordo com Pimenta (2012), e este reflete se de fato a filosofia tem contribuído para uma indagação em relação a esta temática ou mesmo se outros autores têm discorrido sobre este assunto, apesar de ser para muitos um tabu ainda na atualidade. Na obra “O mito de Sísifo”, de Camus, o acordar de uma vida estagnada, com a mudança de uma rotina emblemática, é contexto importantíssimo para se pensar acerca deste problema.

De fato, os casos de suicídio em todo o mundo, e particularmente no estado do Espírito Santo, indicam a grave situação que tal ato provoca na realidade contemporânea. Viver se traduz no ideário contínuo em dar sentido a cada ato humano de forma a sustentar a permanência da vida. Porém, o suicídio, questiona Albert Camus, é a resposta mais satisfatória aos problemas contemporâneos da vida?

Tal estudo propôs discutir na perspectiva camusiana a manutenção da vida ou não mediante aos obstáculos encontrados na realidade humana. Para isso analisou a absurda condição humana frente ao caos cotidiano da vida no ideal camusiano; confrontou a frágil existência humana numa postura de revolta e não de renúncia e assim, a possível reconstrução mediante as desilusões diversas do viver; e diferenciou os tipos de suicídio apresentando especificamente o individual e não o coletivo, do sujeito que se defronta com o mundo.

Refletir a ideia do suicídio no contexto camusiano se fez necessário para contextualizar como os tabus ainda existentes impedem discussões desta temática em academias e escolas, reduzindo tal assunto a poucas áreas das ciências, quase sempre limitando tal debate a psicologia. Buscar fazer uma leitura do suicídio num contexto global das muitas áreas do conhecimento é permitir uma sensibilização ampla de todos para esta questão. A proposta filosófica desejou provocar mais questionamentos acerca deste debate, tendo em vista a percepção reduzida da psicologia em inferir este assunto de forma muito compacta e distante do homem que não é apenas razão, mas traz consigo muitas emoções. Quantificar o homem em padrões segundo um protocolo atual de qualidade é reduzir sua capacidade autêntica de relação consigo mesmo e também para com todos. Além disso, é fundamental evidenciar o impacto social decorrente de todo o processo suicida, que aflige não apenas o que realiza, mas a muitos indivíduos numa sociedade que ordena incessantemente a primazia da perfeição. Deparar-se com o fracasso é algo inaceitável para a realidade vivida, logo, tirar a própria vida para muitos será o único alento para compensar as frustações existenciais.

Para realizar a reflexão da temática acerca do suicídio, optou-se em realizar tal investigação a partir do método reflexivo por meio da leitura sistemática. Por meio do levantamento bibliográfico, a citar “O homem revoltado” e o “Mito de Sísifo”, esta pesquisa foi fundamentada na busca exploratória, sendo que após a interpretação de diferentes informações em livros de biblioteca convencional, além de bases de dados, pesquisas em sistemas de busca e periódicos acadêmicos, fez-se a sistematização dos dados obtidos. Segundo Gil (1991, p. 48) “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. A busca pelos conceitos acerca desta pesquisa bibliográfica se configurou numa ação bem determinada. Para Severino (1993, p. 72), é um processo de “localização e busca metódica dos documentos que possam interessar ao tema discutido”. Logo, as referências aqui destacadas servem para descrever a importância de se falar sobre esta temática, que por vezes permanece apenas no campo teórico.

 

 

2 A ABSURDA CONDIÇÃO HUMANA

Sentir que a vida não tem tido muito sentido é algo que atualmente se tem tornado comum. A vida passou a ter uma conotação angustiante, estressante, e por que não: absurda. Falar do absurdo é ir além da tentativa de explicá-lo, é vivê-lo.  Segundo Ferreira (1999, p. 18), o absurdo é aquilo “que fere as regras da lógica.” Na concepção de Martins (2009, p. 14), crítico camusiano contemporâneo, o “absurdo é o que se caracteriza pela ausência de sentido, o que não tem finalidade”. Ele ainda ressalta que é aceitar a insana realidade em que se assentou o absurdo e também, evidenciar a tomada de consciência que o ser humano se apropriou causando a separação do sujeito para com as coisas ao seu redor. Também descreve:

A tomada de consciência do absurdo não tem um dia, uma hora marcada. Num momento, sem que se saiba ao certo como, tudo deixa de fazer sentido, tudo parece desordenado, irracional, mecânico e claro, demasiado claro. Acorda-se e vê-se a claridade e a transparência. Um mal-estar diante dos semelhantes. Estrangeiro. Inimigo de si mesmo e dos outros. Quem entra no absurdo apercebe-se de uma falta de sentido mas resiste, persiste, insiste. A vida torna-se infundada, cada vez é mais inumana, menos sentida e com menos sentido. Continua sem conseguir dar sentido às coisas, a sua experiência com o mundo nada lhe dá. Já nada pode permanecer igual, não podemos fazer de conta. Para capturar o sentimento de absurdo o homem precisa invocar outros sentimentos, desde o desconforto ao pessimismo até à angústia e ao desespero. Quanto mais o homem busca a vida mais se depara com o absurdo, mais a vida perde o nexo que tinha até então (MARTINS,2009, p. 15).

 

A dor, elemento inevitável ao homem, o situa frente ao absurdo de forma totalmente inóspita. O desespero não tem momento definido na trajetória da vida e, portanto, cada sujeito se faz vigilante ou não de suas possíveis mazelas nestas infinitas nuances da vida. O homem se encontra num lugar que não lhe dá felicidade alguma e o faz se sentir fracassado e sem motivações para continuar com a trajetória da vida. Ao se defrontar com o mundo, ele vê que são muitas as condições que tentarão diminuí-lo. Pela condição extrema da perfeição, o homem aniquilou-se e perdeu o melhor da vida. A insensibilidade para com o outro ante sua angústia, dor, inquietude fez do homem um sujeito egocêntrico e suficiente aos seus gostos e vontades. Logo, viver assim, condiciona-o a enfrentar continuamente tudo aquilo que parece não ter mais sentido e tornar a vida complexa ainda mais (MARTINS, 2009).

O contexto em que Camus se atenta para as dores em que o homem se deteve na sua terrível condição do ontem e do agora, numa tonalidade de um sofrimento que não passa, mas que persiste, são dadas num momento localizado: a guerra. Para Lins (2016, p. 37), “após as grandes guerras do século XX e a queda emblemática do socialismo russo, é possível ressaltar os contornos gerais de uma pós-modernidade desconfiada em relação aos idealismos e às instituições religiosas”.

Quando alguém perde a confiança noutro, as relações se tornam delicadas. Com tamanha desconfiança, pois já não há mais um ideal, as dilacerações que o ser humano viveu não foram as mais esperançosas. A realidade da morte se torna inadiável e aquele a qual nada poderia acontecer se torna desprezível. De acordo com Bispo e Rosa (2013, p. 19): 

Quando o homem contempla o mundo percebe o tão quanto este é injusto para com ele. Ao ver a realidade da morte de perto, cada sujeito sente o sentimento de incapacidade, pois para a morte, o ser humano se torna ínfimo, pequeno, frágil. Ele até poderá evitá-la por um tempo, mas chega um momento em que tudo acaba se consumando.

 

No momento exato do fim da vida, o absurdo encerra com sua sina. Segundo Gomes (2018, p. 41), “sendo o absurdo o resultado do confronto entre ambos - homem e mundo/tempo -, ele deixa de existir assim que um dos elementos seja suprimido. Como tal, o absurdo não tem solução, não é possível suprimi-lo [...]”. A cada sujeito compete então, com muita coragem, viver esta relação do absurdo e o em si.

O valor da vida num momento marcado pelos horrores da guerra, pela intolerância, faz com que Albert Camus, no século XX, questione no ser humano tal problemática, pois já não havia uma divindade bondosa ou mesmo um governo igualitário para se recorrer (LINS, 2016). Pensar um meio para enfrentar o absurdo do viver tornou-se fundamental no pensamento camusiano. Percebe-se a realidade do absurdo, de uma situação em que não há como fugir dos dilemas do ser intencional, movido por desejos, vontades e pulsões.

É importante perceber o que este “absurdo” quer apresentar a história dos povos. Muitos raciocínios afirmados por diferentes autores produziram as mais variadas leituras da realidade, porém, o homem sem um objetivo descrito para sua vida se viu completamente tomado pelo caos. Logo, seu desespero, mediante a uma condição do nada, o levou a uma realidade sem saída. Para Camus (2018, p. 20), “o absurdo que pretende exprimir o homem em sua solidão faz com que ele viva diante de um espelho”. Ao ver esta realidade, o homem fica perplexado, sem motivos para ressignificar. O “eu” não sabe lidar consigo mesmo e sua inquietude o perturba incessantemente. Mas afinal, o que seria tal absurdo para Camus?

Quebrado o espelho, não resta nada que nos possa servir para responder às questões do século. O absurdo, assim como a dúvida metódica, fez a tábula rasa. Ele nos deixa sem saída. Mas, como a dúvida, ao desdizer-ser, ele pode orientar uma nova busca. Com o raciocínio acontece o mesmo. Proclamo que não creio em nada e que tudo é absurdo, mas não posso duvidar de minha própria proclamação e tenho de, no mínimo, acreditar no meu protesto. A primeira e única evidência que assim me é dada, no âmbito da experiência absurda, é a revolta (CAMUS, 2017, p. 22).

 

Martins comenta que (2009, p. 14) “o absurdo nasce como consecutivo a uma quebra da unidade originária entre o Homem e o mundo, possibilitando assim o nascimento de uma revolta, manifestada como uma vontade”.  A vida é para que o absurdo exista, o aceitando sempre na premissa do se revoltar. Mais do que querer entender conceitualmente o absurdo, é preciso vivê-lo.

Para Lins (2016, p. 41), “o homem mora em um lugar que não lhe proporciona o sentimento de pertença, de familiaridade e de compreensão”. Portanto, este ser em muitas situações se questionou no que pode evidenciar toda a sua existência e agora ele percebe as consequências de tais atos. Qual foi o valor aplicado em toda a sua busca do se conhecer? Nem sempre a existência do homem é honesta.

A quietude do mundo, bem como a frágil existência humana, promove uma dolorosa e massacrante idealização da falta de necessidade de se viver. O homem indiferente a si, sob a dura realidade dada pelo mundo, com seu aporte cultural, será consequentemente atacado pelas problemáticas a serem enfrentadas. De acordo com Bispo e Rosa (2013, p. 19):

O absurdo camusiano é caracterizado pela condição humana e o silêncio do mundo. O instante da falta de adequação do humano com o mundo é visto como uma paixão avassaladora; o questionamento vindouro é saber se somos obrigados a viver conscientes da absurdidade existencial ou se o suicídio é coerente com o absurdo.

 

Segundo Pimenta (2012), a reflexão feita pela ética atualmente é bem limitada. Ele apresenta tal ideia devido à falta de respostas para muitos questionamentos oriundos de tantas reflexões e debates decorrentes da condição humana. Pimenta (2012, p. 16) diz que “antes de responder como viver, como fazer desse mundo um mundo agradável – ou pelo menos suportável –, devemos responder se a vida vale a pena ser vivida”.

O absurdo transcrito por Camus de como enfrentar o dilema do viver se esbarra em sua interrupção abrupta: o suicídio. Para muitos filósofos, falar deste tema não causa interesse, quando não é condenável. É algo quase sempre analisado como uma conjunção de fatores psicológicos que fizeram do viver algo complexo. Viver meramente as realidades, mas sem elucidar reflexões e questionamentos, é se tornar simplesmente objeto, uma máquina e não ser alguém existente neste mundo (PIMENTA, 2012).

Desta forma, “o absurdo é inefável, pois se houvesse uma forma de explicá-lo logicamente deixaria de ser absurdo. Não é um conceito abstrato, mas uma experiência vivida pelo humano em seu cotidiano” (BISPO; ROSA, 2013, p. 22). É algo real, latente, impulsiona a todos incessantemente. De acordo com Paiva (2013, p. 118), “não há absurdidade fora do espírito humano, ou sem o embate entre ele e a realidade que o circunda; vemos, assim, que a morte voluntária opera propriamente a desaparição do objeto a ser perscrutado”. É desta forma compreendido que por mais terrível que seja a realidade do absurdo, negar a vida é ir contra a lógica do absurdo.

Camus retrata no seu enredo a ideia do absurdo, revelando a que situação o homem contemporâneo se colocou mediante a dor, as desgraças, as misérias, as doenças, a guerra, enfim, a tudo aquilo que o pudesse conferir um estado de caos (PIMENTA, 2012). Revelar assim a coexistência da realidade entre homem e absurdo é para Camus, o seu ideal enquanto romancista nas suas obras. De acordo com Bispo e Rosa (2013, p. 21):

A contradição se faz presente no absurdo camusiano. O filósofo revela essa característica nos protagonistas de seus livros, citando como exemplo: Meursault, de O Estrangeiro, personagem do absurdo, ele repudia as regras e convenções às quais, por ventura, viessem a privá-lo de sua liberdade. Entretanto, é sentenciado a perdê-la. Em seus personagens centrais do absurdo, Camus traz a dualidade da indiferença, ou seja, ao mesmo tempo em que desejam a presença de alguém, rejeitam-na, como fosse possível viver isolados e isentos de qualquer culpa.

 

Gomes (2018, p. 41) apresenta a ideia do “sentimento de absurdo como uma revolta entre o homem e a sua experiência na terra (englobando a dimensão do tempo, e, consequentemente, a morte e o desconhecido)”. Assim, diante da absurda realidade oferecida pelo tempo e a quietude mediante a questionamentos não esclarecidos, para Camus, a razão pouco ajudará efetivamente a dar as respostas tão sonhadas pelo ser humano.

Nesta questão da razão, Camus infere um debate que atinge a mais pura realidade, denunciando as mazelas sociais. Por vezes, o cientificismo doentio faz com que as pessoas se tornem indiferentes umas às outras. Silva (2013, p. 1) aponta que sob as “ideologias totalitárias pretensamente racionais que, sob a fachada da razão, através de seu aspecto universalista, sistemático e abstrato, não passam de um acréscimo de absurdo àquele inerente à própria existência humana”.

Para Camus (2018), somente a razão não é capaz de assistir ao homem, pois esta não explica de forma plena as inúmeras angústias dadas pela vida todos os dias. Permanecer atada a ela (a razão), é reduzir o homem a um segmento deficitário que gerará para o itinerário deste sujeito sérios desafios. Entre o silêncio que grita e a confrontação do homem para com este mundo assustador surge o absurdo, um peso sem medidas, para ser carregado todos os dias, por toda a eternidade.

O homem precisa se manter vivo apesar de tudo. Segundo Camus, “[...] o corpo recua diante do aniquilamento. Cultivamos o hábito de viver antes de adquirir o de pensar” (CAMUS, 2018, p. 23). De fato, a provocativa elencada pela vida em inúmeras situações deixou o homem muito vulnerável e ele já não consegue dar vazão aos seus sentimentos. Foram tantas as maquinações e renúncias realizadas pelo próprio homem que este se perdeu em si. Na busca pela razão exacerbada, sua percepção da vida permaneceu indiferente.

Para Camus, o homem não poderá permanecer paralisado. Desta maneira, a ideia proposta pelo autor do absurdo é descrever que este caos provocado pela absurdidade gera uma atividade intensa. Segundo o filósofo, o homem manifesta uma profunda energia que o faz não permanecer numa mesma perspectiva, mas o faz sair da condição dada para uma nova.  “A revolta [...] aceita inclusive o sofrimento para si mesma, desde que sua integridade seja respeitada” (CAMUS 2017, p. 33). O que realmente importa será aquilo que possibilitar a manutenção do viver, para assim ressignificar-se mediante a realidade disposta.

Camus (2017, p. 35) atesta que “a revolta é profundamente positiva porque revela aquilo que no homem sempre deve ser defendido”. Enquanto o homem permanece numa visão submissa, ele é incapaz de dar saltos significativos para sua vida. A ideia da revolta é a consciência daquele que tem seus direitos garantidos. A ideia que Albert Camus traz não faz jus à impossibilidade do se viver, pelo contrário, “na verdade não há nenhuma medida obrigatória entre esses dois juízos” (CAMUS, 2018, p. 23) entre o absurdo da vida e o deixar de viver. Para Camus, o homem carrega consigo a força para a vida e não o seu contrário. Apesar de conscientemente saber que caminha para a ideia da morte ele realiza a manutenção da vida graças ao impulso provocado pela morte. Sendo assim, responder ao viver, com o não viver, é se envolver num total derrotismo existencial.

Frente aos dissabores da vida, a ideia da morte voluntária parece ser a solução mais viável. Porém, é percebível sua situação dada as condições dispostas contrárias para os homens todos os dias. De acordo com Pimenta (2012, p. 18), este tema do suicídio é importante para o contexto camusiano. Na concepção mitológica, uma resposta ao problema da vida é o suicídio. Tamanha dor e insatisfação para com a vida, geram apenas condições para que cada um elimine sua condição existencial vazia e pouca amigável. O meio em que Camus vive é assustador, devido aos horrores das guerras.

Lins destaca que (2016, p. 38) “a pós-modernidade é marcada pela fragmentação dos absolutos, e sobre ela paira a sombra do pessimismo que a modernidade legou”. Viver este contexto é ter que contemplar um terrível vazio existencial, uma escassez de possibilidades. A morte de algo que lhe sustenta é terrivelmente angustiante, pois cessa no homem a capacidade intrínseca em viver. Para o homem, que se revoltou em Camus, esta sensação de total vazio diante da ineficiência de alguma divindade até então dada como ideal humano é uma consequência inimaginável do profundo esvaziamento do homem em seu ser existencial.

É interessante perceber como a ideia do absurdo presente na literatura camusiana faz circular tal temática do suicídio. Na introdução de “O primeiro homem”, Camus (2016, p. 9) fala que o “absurdo é descrito não como a contingência do ser, [...] mas nos termos de uma confrontação de meu desespero profundo e da indiferença secreta de uma das mais belas paisagens do mundo”. O homem aqui não conhece a maravilha deste mundo e se vê só, sem nem mesmo ter auxílio de um Deus.

Pelo ser consciente do homem, este fica refém de sua condição racional, não que seja ruim, mas tal postura o priva de viver suas emoções diversas. O absurdo é a realidade comparativa entre coisas que geram este sentimento de confrontação. Para Camus (2018, p. 41), “o absurdo é essencialmente um divórcio. Não consiste em nenhum dos elementos comparados. Nasce de sua confrontação”. Ao descrever isso, Camus relata que o absurdo está na presença comum, nas relações experimentadas entre o homem e o mundo. Os dados vividos demonstram para o indivíduo a simples e complexa relação de ter que viver nestas condições (CAMUS, 2018).

A morte, na teoria camusiana, nesta condição inerente do absurdo seria a resposta ao destino humano (PIMENTA, 2012). As conquistas nos diversos campos do conhecimento, técnica, entre outras, podem até tranquilizar o homem momentaneamente, de suas necessidades mais comuns, como se sentir bem, protegido, com seus prazeres atendidos, mas a absurdidade relembra a efemeridade do viver. Assim, entender o absurdo, ou tentar pelo menos, é compreender a necessidade de aceitar com maturidade e resiliência a frágil condição humana. Não acentuar as desgraças como a resposta última, mas perceber a riqueza contida em cada gesto de reerguimento é fundamental.

Camus acentua que todos precisam viver o absurdo, por mais doloroso que seja o mesmo. Para isso, o tempo se apresenta como o lugar em que o sujeito terá que ser o artífice dele mesmo. Para Gomes (2018, p. 40), “queremos mais tempo para viver, todavia quanto mais avançamos, mais curto ele se faz. Camus começa por definir o assalto do absurdo pela “revolta da carne” face à potência do tempo.” O desespero é tamanho que fez a vida perder sua beleza natural, sua riqueza proveniente das coisas mais simples do cotidiano. Pela incessante busca pelo ter, o homem se deteve numa caótica condição de esvaziamento de sentido pela vida.           

O homem não poderá aniquilar sua relação com o mundo e, por isso, imaginar um estado de tranquilidade é fugir à realidade a qual o homem é “condenado” a viver: o absurdo. Camus diz que (2018, p. 41) “não pode haver absurdo fora do espírito humano. Por isso, o absurdo acaba, como todas as coisas, com a morte”. Logo, a luta sem fim contra o absurdo, ou melhor, para com a vida deverá ser mantida. Mesmo sem encontrar o mais puro conceito para o absurdo, o que realmente importa é viver o absurdo com seus desafios.

 

3 AS FACES DO SUICÍDIO

O suicídio se faz presente na sociedade, apesar de não ser tão discutido, pois para muitos ainda é visto como algo a não ser falado ou mesmo um assunto “profano, proibido”. O site Gazeta Online (GAZETA, 2018) vinculou uma reportagem que chama atenção para o número de suicídio no estado do Espírito Santo. Com dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Espírito Santo, a ARSP, o site apresentou que no ano de 2017, a cada dois dias, uma pessoa cometeu tal ato neste estado. O site ainda fala que (2018, p. 4) “no Brasil, há um suicídio a cada 45 minutos e mundo, há uma tentativa a cada três.” É um problema epidêmico que atinge a todos os grupos. O site também mostrou que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), (GAZETA, 2018, p. 5) “o suicídio é a terceira maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, e a sétima entre crianças de 10 a 14 anos de idade”.

A Psicologia apresenta o suicídio a partir de um processo complexo, por vários fatores. Ele faz parte do código internacional de doenças, mas não é doença por si mesmo. O Conselho Federal de Psicologia (2013, p. 30) descreve o seguinte:

Classificado pelo Código Internacional das Doenças, (capítulo XX da CID10) como morte violenta por causas externas, isto é, morte não decorrente de doença (OMS, 10ª Revisão, CID-10, 1995), o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial no qual a interação de fatores individuais, sociais e culturais será determinante na decisão de tirar a própria vida. A inexistência de explicação universal para o ato suicida torna necessário, para compreendê-lo, levar em conta a associação de três fatores: os precipitantes (normalmente atuais e externos ao sujeito), os internos (relacionados à sua história de vida e aos transtornos mentais preexistentes) e o contexto sociocultural do ato.

No documento do governo federal acerca do “Suicídio e seus desafios para a Psicologia”, (2013) é referenciado como o comportamento do suicida faz menção aos que tentam tirar a própria vida, mas não conseguem e também aqueles que obtêm êxito. Este textual (2013, p. 26) afirma que “o comportamento suicida é uma tragédia pessoal e familiar e, assim, torna-se um problema de saúde pública”. Em muitas situações, é complicado entender o motivo que levou aquela pessoa a fazer tal gesto contra a própria vida. O que dizem os estudos acerca desta temática, conforme este documento (2013, p. 26), “é que há grande complexidade para compreender o comportamento suicida. Sabemos que há fatores emocionais, psiquiátricos, religiosos e socioculturais”. De fato, são muitas coisas que pesam sobre o sujeito que, no seu sofrimento, não sabe o que fazer e como proceder.

Este documento (2013, p. 31) conceitua o suicídio sendo “uma manifestação humana, uma forma de lidar com o sofrimento, uma saída para livrar-se da dor de existir [...] isto é, aquilo de que o sujeito pode dispor quando a vida lhe parecer insuportável”. Perceba a questão pessoal que o sujeito carrega sobre si. Vitimado por seus sofrimentos, pela sua incompreensão, seus diversos fracassos existenciais, ele não consegue prosseguir e se manter esperançoso ante aos desafios da vida é um peso imensurável.

Falar desta temática sob a perspectiva filosófica em “O Mito de Sísifo” (CAMUS, 2018) é descrever o tema do suicídio a partir da absurdidade do homem em lidar com os muitos problemas de sua vida, sem muitas vezes não ter um ponto para resolver seus conflitos. Vê-se tão arruinado ao caos existencial, que a relação para com o mundo se torna inóspita e “daltônica”, como dizia Camus em suas reflexões. Ver o sujeito do jeito que ele é, é se defrontar com a realidade, e assim, o homem viverá o seu projeto não como algo pronto, mas que se faz a cada nova circunstância dada.

Para falar do suicídio, Camus descreve neste mito uma alegoria, com o intuito de enfrentar os “castigos da vida” com coragem. Basicamente, “O Mito de Sísifo” relata a história de um astuto homem que desejava enganar a morte. Sísifo, junto de esposa, cria situações que estremecem as relações com o submundo e assim, há uma incoerência com o curso normal da vida. Todos nascem sabendo que um dia irão morrer. Porém, como castigo, o protagonista desta instigante história terá que empurrar pela eternidade uma enorme pedra, salientando assim, que a vida é um eterno “deslocar” os medos, absurdos, angústias, que são comuns a todos e se esquivar deles é impossível.

A falta de sentido em fazer algo que no fundo será inútil é tido então como o mais temido dos castigos para quem afrontasse a alguma divindade. Camus (2018, p. 137) descreve que:

Os deuses condenaram Sísifo a empurrar incessantemente uma rocha até o alto de uma montanha, de onde tornava a cair por seu próprio peso. Pensaram, com certa razão, que não há castigo mais terrível que trabalho inútil e sem esperança.

Camus, observando a história, vê em Sísifo a imagem de um sábio e prudente, e também a figura de um bandido. No contexto mitológico, Sísifo é aquele que consegue burlar, enganar a morte (2018, p. 121): 

Contam também que Sísifo, já perto de morrer, quis imprudentemente pôr à prova o amor de sua esposa. Ordenou que ela jogasse seu corpo insepulto no meio da praça pública. Sísifo foi para os infernos. E ali, irritado por uma obediência tão contrária ao amor humano, obteve de Plutão a permissão de voltar à Terra para castigar a mulher. Mas quando tornou a ver a face deste mundo, a desfrutar da água e do sol, das pedras tépidas e do mar, não quis voltar para as sombras infernais.

Em “O mito de Sísifo” (CAMUS, 2018) indica o que o absurdo da existência pode oferecer ao homem. Em sua literatura romanesca, Camus descreve questões pontuais da filosofia que ajudavam a descrever o mundo e suas incompreensões. No fundo, de acordo com Lins (2016, p. 39):

A proposta de vida moral camusiana que lança fora os apoios da fé, das ideologias insurgentes, ou de qualquer outro pretenso deus moderno se faz relevante para os dias atuais, dias de pós-Deus, pós-guerra, pós-socialismo, pós-racionalismo, enfim, pós-modernidade.

A reflexão camusiana é inevitável, pois coloca o sujeito numa condição autônoma de sua pessoalidade. Souza (2018, p. 9) comenta que Sísifo é um herói que tentou de tudo para escapar da morte: “a partir desta imagem Camus fala dos extremos do seu próprio tempo, Sísifo foi condenado a rolar a pedra para cima por toda a eternidade”. A repetitiva rotina de ter que fazer todas as coisas pela eternidade atesta a eterna condição dada ao homem. Desta maneira, Sísifo não se faz distante, mas se denota em cada um diariamente nas suas invariáveis possibilidades de ser.

Este mito só é trágico porque seu herói é consciente. O que seria a sua pena se a esperança de triunfar o sustentasse a cada passo? O operário de hoje trabalha todos os dias de sua vida nas mesmas tarefas, e esse destino não é menos absurdo. Mas só é trágico nos raros momentos em que se torna consciente. Sísifo, proletário dos deuses, impotente e revoltado, conhece toda a extensão de sua miserável condição: pensa nela durante a descida. A clarividência que deveria ser o seu tormento consuma, ao mesmo tempo, sua vitória. Não há destino que não possa ser superado com desprezo (CAMUS, 2018, p. 139).

Segundo Lins (2016), o absurdo é uma medida para responder a problemática do suicídio. Também, em outras obras de Camus (1995), a citar: “O estrangeiro”, ele reflete a postura do homem que elimina a vida de outrem, apontando assim a banalidade em que a vida tornou. O suicídio, destacado em “O mito de Sísifo”, é a ideia, de fato, do único problema filosófico que existe. Logo, precisa ser analisado para se tentar chegar a uma perspectiva da vida.

Nesta pesquisa, como já descrito, optou-se em descrever este problema na perspectiva do “eu”, do ser humano que angustiado precisa lidar consigo diante das dificuldades da vida. Assim, no livro “O Mito de Sísifo”, Camus cita (2018, p. 20):

Sempre se tratou o suicídio apenas como fenômeno social. Aqui, pelo contrário, trata-se, para começar, da relação entre o pensamento individual e o suicídio. Um gesto desses se prepara no silêncio do coração, da mesma maneira que uma grande obra. O próprio homem ignora. Uma noite, ele dá um tiro em si mesmo ou se joga pela janela. Diziam-me um dia, a respeito de um gerente de imóveis que havia se matado, que cinco anos antes ele perdera sua filha, que desde então tinha mudado muito e que essa história o deixara atormentado. Não se poderia desejar palavra mais exata. Começa a pensar é começar a ser atormentado. A sociedade não tem muito a ver com esses começos. O verme se encontra no coração do homem. Lá é que se deve procurá-lo. Esse jogo mortal que vai da lucidez diante da existência à evasão para fora da luz deve ser acompanhado e compreendido.

A ideia apresentada por Camus descreve como este elemento do absurdo, do atormento, se encontra dentro de cada ser humano, mesmo que escondido, mas presente e latente a cada realidade. O suicídio é algo bem pessoal, no silêncio de cada indivíduo que se contempla em sua existência, suas alegrias, mas também seus desesperos que o levam para o “jogo mortal”. Paiva (2013) diz que Camus vê o fato de pensar ser emblemático, não ignorando o uso da razão, mas na perspectiva valorativa da vida, pois o ato em si impede que o sujeito também traga consigo e trabalhe em sua condição existencial as emoções e sentimentos que são próprias do ser humano.

Segundo Pimenta (2012), os desafios principais para Camus, em “O mito de Sísifo”, são os que se referem à paixão pelo viver, seja nos seus bons ou maus momentos. Falar da vida nesta tonalidade pessoal, afirmando que cada indivíduo é importante, é desejo incomensurável de Camus em sua literatura. A temática do “é necessário viver” é obrigação do seu discurso teórico. Assim, o refletir ante a condição existencial da vida faz com que cada um, na sua condição inata de ser, pense se de fato tem ou não tem sentido viver.

O suicídio para muitos é “o não aguentar mais empurrar esta pedra” (CAMUS, 2018), e então se decide soltá-la. O sujeito que aqui já não tem mais autonomia para lidar com os desafios de sua condição de viver e estar neste mundo se lança neste caminho contrário ao absurdo e mediante aos problemas da vida, opta em retirá-la. Ter que deslocar a pedra eternamente é para Camus a resposta para enfrentar as adversidades do cotidiano de cada indivíduo. Para este filósofo, não existe pessoa imune a tal realidade, porém é possível ser protagonista do viver ante a tais realidades desesperadoras.

 

4 RECONSTRUIR-SE PELA REVOLTA

O homem revoltado, para Camus, é aquele que diz “não” aos contextos da vida. “Mas, se ele recusa, não renuncia: é também um homem que diz sim, desde seu primeiro movimento” (CAMUS, 2017, p. 27). A ideia aqui compreende que em tudo há limites. Se qualquer idealismo foi extirpado, já não há um regime para legitimar qualquer verdade, o homem terá que expressar seus anseios por si mesmo. Já não é possível mais afirmar um exagero e por isso, é preciso enfrentar o que faz a vida estagnar. O revoltado é aquele que se rebela. Se antes estava sob o julgo do opressor, agora ele o enfrenta (CAMUS, 2017).

O homem que até dormira num profundo “sono do coração”, acorda agora para viver o absurdo. Quando o homem se vê na sua mais dolorosa condição existencial, percebe que a realidade exige muito mais, e assim, será preciso escolher para continuar a viver. Lins (2016, p. 43) descreva que a inoperante razão acarreta divergentes situações para o homem:

São nos rompimentos com o hábito que a consciência se abre para o estado absurdo. Os gestos, outrora carregados de razão, ordenados pela existência são, subitamente, assaltados pela sensação de inutilidade. Nesse momento, o homem reconhece os espaços vazios, ou melhor, as ausências que o faz flutuar sobre o nada, [...] Reconhece a ausência de Deus nos céus, a ausência de uma razão suficiente que explique o mundo, a ausência de um sentido profundo que faça o sofrimento dessa vida valer a pena. O sujeito absurdo se reconhece abandonado pelo Deus que não existe, frágil diante do acaso que controla o mundo, controlado por impulsos irracionais e sem princípios eternos que lhe ofereçam uma mínima segurança. Tamanha ausência de sentido preenche esse abismo intransponível entre o homem e o seu mundo. O que se sabe é que não se pode entender nada em completude.

O não compreender tudo faz do homem um ser incompleto, inacabado, que se faz continuamente, a cada momento, nos seus mais variados arranjos e posicionamentos. Graças ao absurdo, o homem é um “ser-para-morte”, pois aponta a frágil condição humana, sua pequenina condição mediante a um cosmos impensável. Defronte com a realidade da morte, qualquer obstáculo se desfaz e assim, tudo aquilo que até então prefigurava totalidade, se desfaz facilmente (BISPO; ROSA, 2013).

O ser humano, se percebendo frágil em sua dura condição humana, consegue assim compreender o questionar-se para com o mundo, bem como perceber o silêncio que em muitas vezes suas perguntas permanecerão. Pela revolta, se dá o absurdo. De acordo com Camus (2017, p. 32), “na revolta, o homem se transcende no outro”, pois “a revolta fragmenta o ser e ajuda-o a transcender. Ela liberta ondas que, estagnadas, se tornam violentas.” Logo, criticando a condição ontológica do homem, Camus deseja instigar a ideia de revolta e não de renúncia para com a vida.

O homem é a única criatura que se recusa a ser o que é. A questão é saber se esta recusa não pode leva-lo senão à destruição dos outros e de si próprio, se toda revolta deve acabar em justificação do assassinato universal ou se, pelo contrário, sem pretensão a uma impossível inocência, ela pode descobrir o princípio de uma culpabilidade racional (CAMUS, 2017, p. 23).

Desafiar-se constantemente entre a ideia de confrontar mundo e homem se configura premissa básica camusiana. As outras coisas são decorrentes e poderão ser adiadas suas reflexões. Para Pimenta (2012, p. 22), “na manutenção do absurdo, a liberdade é uma atitude coerente, ou melhor, a verdadeira liberdade começa com a descoberta do absurdo”. O homem pode até imaginar coisas, mas ao se deparar com as suas mazelas, graças à ação do pensar, ele necessariamente tomará outros rumos para o seu viver.

Saber o que é a vida, com suas inúmeras significações, será um desafio para o homem que se perdeu em meio a tantos questionamentos. Nunca se teve tanta informação acerca das realidades, mas ao mesmo tempo, o homem se fechou no seu “eu” e, logo, privou-se do relacionamento com o outro. Desta infeliz condição, cada um precisa se encantar pela vida, por mais contraditório que isso possa parecer (BISPO; ROSA, 2013).

Porém, a ideia de sentido para Camus é desafiante. A todo instante as estranhezas do mundo fragmentam as possibilidades do homem ser diferente e mais esperançoso. O homem não consegue lidar consigo mesmo, quanto mais com as múltiplas vivências que possuem infinitas angústias e dificuldades a serem enfrentadas. Lins (2016, p. 42) examina a situação a qual o homem se deteve:

O mundo é desumano e o homem tenta humanizá-lo para melhor compreendê-lo. No entanto, em certo dia, o mundo torna-se o que realmente é aos olhos do sujeito absurdo, perde-se assim o encanto que o preenchia com sentido e familiaridade, o encanto que fazia possível cultivar esperanças e paz, o encanto que fazia desse “outro” estranho, indiferente, hostil e misterioso, um anfitrião bem chegado. Não menos entranho é o próprio homem, ou, ainda, o homem perante o outro tão incompreensível quanto ele mesmo, [...]. O apetite de clareza, em Camus, é uma fome sem correspondente capaz de saciá-la. De forma similar, ele se lembra de que o “conhece-te a ti mesmo” de Sócrates é uma busca válida, no entanto vã.

Bispo e Rosa (2013, p. 24) comentam que “a ausência de significado da existência humana é na realidade um incentivo à vida, não o oposto [...] o coerente é a manutenção da vida, mesmo que o confronto com o absurdo seja diário”. Ser resiliente é dar à vida a melhor possibilidade de viver o absurdo. Camus (2017) indica que quando o sujeito não é capaz de ser autônomo com sua vida, até porque é impedido por algo que o domina, que não o deixa se desafiar, ele precisa se rebelar. Se não há movimento, percepção da realidade, tomada de consciência, o homem permanece estagnado na concepção camusiana. Consequentemente, o suicídio aparece como uma resposta adequada às mazelas diárias.

Segundo Camus (2017, p. 338), “a contradição é a seguinte: o homem recusa o mundo como ele é, se desejar fugir dele. Na verdade, os homens agarram-se ao mundo e, em sua maioria, não querem deixá-lo”. Por esta razão, os homens não conseguem viver plenamente o mundo em que estão situados. Sentem-se estranhos a esta realidade e, por conseguinte, são indivíduos sem pátria.

As ações humanas se perdem em muitas de suas escolhas, pois o sujeito não é capaz de se dominar, se conhecer e assim, “entender a vida como destino, eis sua verdadeira nostalgia, no mais profundo de sua pátria” (CAMUS, 2017, p. 388) se torna muito difícil. Camus atesta que o homem se percebe como tal no instante de sua morte. É na finitude do viver, no ocaso da vida, que estando tudo consumado, o sujeito percebe que se ele existe, é porque não mais viverá, não mais existirá.

Olhar a dimensão do outro nem sempre é garantia para confirmar que uma vida é melhor que a outra. O homem acaba deixando a realidade muito romântica e não é capaz de sentir suas intempéries. De acordo com Camus (2017, p. 339):

Cada qual procura fazer de sua vida uma obra de arte. Desejamos que o amor dure e sabemos que ele não dura; se até mesmo por milagre, ele tivesse que durar toda uma vida, estaria incompleto. Talvez, nesta insaciável necessidade de durar, compreenderíamos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que as grandes almas, às vezes ficam menos apavoradas com o sofrimento do que com o fato de ele não durar. Na falta de uma felicidade inesgotável, um sofrimento constituiria ao menos um destino. Mas não é assim, e nossas piores torturas um dia chegarão ao fim. Certa manhã, após tanto desespero, uma irreprimível vontade de viver vai nos anunciar que tudo acabou e que o sofrimento não tem mais sentido que a felicidade.

Camus extrai a partir da literatura bíblica a problemática gerada pela revolta. Ele descreve que os problemas dos revoltados são dois: o mal e a morte. Desta forma apresenta que Cristo fora destinado à tarefa de sanar com tamanho desafio. Logo, semelhante a qualquer homem, “o deus homem sofre também, com paciência. O mal e a morte não mais lhe são imputáveis, já que ele está dilacerado e morre” (CAMUS, 2017, p. 53). Camus contextualiza na pessoa de Cristo a ideia de sofrimento comum à humanidade, para representar assim a condição dada a todos, e logo, os seres humanos, independentes de crerem ou não, tais desafios da vida são inerentes a cada sujeito. Para Camus (2017, p. 53), “a agonia seria leve se fosse sustentada pela esperança eterna. Para que o deus seja um homem, é preciso que ele se desespere”.

Nesta perspectiva, enquanto o mundo ocidental foi conduzido pelo ideal cristão, ele foi sustentado pela certeza de um deus que suportou todas as angústias, por mais injusto que poderia ser. A condição em que o cristianismo se situou baseado num sofrimento injusto foi o que determinou a tortura de um inocente. De fato, tal “estranha felicidade é então possível” (CAMUS, 2017, p. 55), porém, ao ser colocado diante da suprema razão, as prerrogativas cristãs não mais se sustentaram.

Segundo Camus (2017), o homem queria conquistar seu espaço no mundo e se manter distante de qualquer deus. O niilismo, que aniquila com qualquer possibilidade de criação, fala da revolta como uma possibilidade de construí-la por determinados motivos. Camus descreve que na solidão humana, o “eu” de cada um se revolta, para que assim sobreviva em meio às irracionalidades provocadas pelo homem. Porém, quando a revolta se finda em destruição, é preciso rever tal postura. A revolta deseja criar e não destruir o ser humano.

É possível dizer, portanto, que a revolta, quando desemboca na destruição, é ilógica. Ao reclamar a unidade da condição humana, ela é força de vida, não de morte. Sua lógica profunda não é a da destruição; é a criação. Para que continue autêntica, seu movimento não deve deixar para trás nenhum dos termos da contradição que o sustenta. [...] A lógica do revoltado é querer servir a justiça a fim de não aumentar a injustiça da condição humana, esforçar-se no sentido de uma linguagem clara para não aumentar a mentira universal e apostar, diante do sofrimento humano, na felicidade (CAMUS, 2017, p. 370).

Revoltar-se contra a vida é assim a saída mais plausível para perceber e viver a liberdade elucidada por Camus. Este não se preocupa com uma liberdade para outra realidade, para um outro mundo. Pimenta diz (2012, p. 22) “sobre o homem concreto, o homem de carne e osso”, ou seja, o homem que vive no aqui e agora. Assim, tal liberdade exerce um grande peso sobre a sensível condição humana, Camus (2017, p. 29) diz que “antes morrer de pé do que viver de joelhos” é se revoltar e não aceitar tudo na sua normalidade. É pensar diferente, para assim rebelado, desejar novos valores.

Ao longo da história, os homens foram sendo acomodados a estruturas que lhe deram certa “tranquilidade” mediante aos dissabores do viver. A ciência se desenvolveu, bem como a técnica e as infinitas tecnologias, mas tais não foram suficientes para estabelecer uma paz sonhada pelo homem. Segundo Lins (2016, p. 45), “Heidegger traz à luz uma realidade impessoal, anônima, em que o homem se encontra como adormecido à sua dimensão originária e reduzido assim ao nível das coisas”. Portanto, é preciso “acordar” desta realidade imaginária e se confrontar com a angústia. O homem se move a viver definitivamente, não permanecendo a este “nível de coisas” e assim, pelo se angustiar, o homem se abre ao “Dasein”, isto é, ao “ser-aí” e logo, ele estará dado a várias situações do mundo. Para Werle (2003, p. 99):

Este ente é o homem, que Heidegger chama de “ser-aí” [Dasein], o homem enquanto um ente que existe imediatamente em um mundo. Por meio do termo Dasein, que define o ponto de partida da analítica existencial, Heidegger pretende ultrapassar a separação entre sujeito e objeto, que ele considera uma herança prejudicial da filosofia moderna na compreensão do que seja o homem. Dasein é o homem na medida em que existe na existência cotidiana, do dia-a-dia, junto com os outros homens e em seus afazeres e preocupações.

Por diferentes situações, o homem tentou separar a sua realidade em partes, reduzir às coisas tudo o que fosse possível. O ser humano perdeu muito ao ser transformado em um mero objeto. Cada um acontece no seu contexto histórico-social. Camus aproveita desta ideia de Heidegger para falar desta vontade em que o homem vive cotidianamente. Ele não é inerte, estático, mas alguém que mesmo diante da realidade mais desesperadora continua a sua trajetória de vida (LINS, 2016).

Segundo Lins (2016), Heidegger promove com sua ideia de liberdade do homem, que é por si próprio, a capacidade de ser-aí. Por mais real que seja a condição para a morte, o homem ainda tentará viver o absurdo da vida. O ser-para-morte dado por Heidegger denota assim a perspectiva de Albert Camus no que tange à ideia de angústia atrelada ao absurdo. O homem não está somente para si, mas junto do outro vai realmente se descobrindo, se revelando.

Nas suas mais diferentes possibilidades, ele se torna, se realiza e se manifesta como homem. O mundo desesperador, dramático, complexado e sem muitas respostas para a humanidade é dado pela angústia, tal fato sendo disposto pelo absurdo. Lins (2016, p. 47) descreve que:

Situando a angústia no pensamento camusiano, pode-se colocá-la no lugar de uma passagem indesviável do cotidiano familiar, e carregado de sentido, para a hostilidade de um mundo estranho, opaco e sem mercê. Ousando mais uma aproximação e uma sobreposição de conceitos, diria que no Dasein em si mesmo cabe, e é reconhecido, o mundo absurdo. Posto uma vez de frente com a janela da angústia, é possível destituir-se “dos certos” e ver um horizonte obscuro e cheio de estranhezas, bem adiante também se vê a morte e o seu modo cruento de desqualificar tudo que compõe a vida.

De acordo com Lins (2016), os pensamentos de Camus e Heidegger se aproximam neste contexto de absurdo e angústia, pois afinal situam as realidades mais complicadas em que a humanidade viveu. Para tal, é preciso encarar esta realidade difícil, sem querer reduzir as coisas a meros objetos, mas perceber o ser de cada um, esta indicação para algo e não fechado a si mesmo.

É durante esse regresso, essa pausa, que Sísifo me interessa. Um rosto que padece tão perto das pedras já é pedra ele próprio! Vejo esse homem descendo com passos pesados e regulares de volta para o tormento cujo fim não conhecerá. Essa hora, que é como uma respiração e que se repete com tanta certeza quanto sua desgraça, essa hora é a da consciência. Em cada um desses instantes, quando ele abandona os cumes e mergulha pouco a pouco nas guaridas dos deuses, Sísifo é superior ao seu destino. É mais forte que sua rocha (CAMUS, 2018, p. 122).

Do absurdo seria impossível escapar, pois, a alegria quieta de Sísifo é aceitar seu destino, sua pesada rocha, contemplar todas as suas dores, vislumbrar a mais terrível escuridão já vista. A rocha e o absurdo existem, porque o homem vive uma noite que não tem fim. Mergulhados nesta realidade, sem estarem obrigados a nada, terão que lidar com tudo aquilo que sua audácia gerou. Camus fala de Sísifo como aquele que após ter tentado enganar a morte e não conseguido definitivamente, foi o único ser capaz de fazer de cada pedra desta seu revoltar-se diário e assim cumprir a tarefa a si confiada. Chegar ao topo da montanha é revoltante, mas é assim que a trajetória perpetuamente se realizará (LINS, 2016).

 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dada a condição da vida com seus diversos problemas, para os existencialistas a ideia do viver é angustiante. Para Camus, denota-se a ideia de sua aceitação ao absurdo que faz o homem não recusar aquilo que ele é: ser do absurdo. Segundo Gomes (2018), mesmo dando sentido ao viver ou o negando, para a realidade humana é impossível encontrá-lo, logo, o homem estará sempre em frente a um limite imposto pela existência. Para Camus, é fundamental aceitar o desconhecido, mesmo que o sujeito não encontre as respostas desejadas, limitadas pela razão que não respondera a tudo, e assim, concluir que a vida é um eterno retorno de tais angústias, não se acomodando, mas a todo momento insistir em sua ressignificação.

Quando se recusa qualquer divindade como portadora de sentido ao sujeito, este se revolta contra a vida. Para Camus (GOMES, 2018), ao existir esta revolta, no confronto com os deuses, é que se constrói a vida, pois assim ela será valorizada. Quando no Mito de Sísifo, ele é condenado a empurrar a pedra eternamente, tal alegoria analogamente traduz a condição do absurdo que o ser humano vive todos os dias. Desta forma, cada um assimila sua condição de vida, é autor de seu destino, é responsável por suas escolhas. O indivíduo passa a conquistar-se a cada dia e assim descobre que não será na renúncia que terás praticado honestamente o seu viver. Revoltar-se é preciso, renunciar não! Logo, o viver assim poderá ser suportado até o fim.

Os textuais de Camus, ao longo de sua trajetória ensaística, apontam para uma tentativa do bem-viver ante as dores da vida, que ele usou como “absurdo” para assim fazer esta reflexão. É claro que determinar tudo isto de forma absoluta é algo complexo, pois o mundo perdido numa razão que se tornou fragmentada por diversas posições fez do homem alguém perdido no seu frágil universo. Camus apresenta a ideia de suicídio como resposta inadequada para este mundo ante o absurdo. Usar do suicídio como instrumento de solução para os problemas do viver não resolve, pelo contrário, arruína o homem, pois tal se deixou vencer pela vida inautenticamente. A solução mais adequada para enfrentar o absurdo da vida é questionar a vida, até mesmo se revoltando quantas vezes for necessário, para que assim ela não suprima o homem, o ser que mais sofre neste enredo do absurdo.

 

REFERÊNCIAS

 

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