Chamada de dossiê

Chamada referente ao dossiê em homenagem a Bento Prado Jr.

Algumas palavras, de uma apresentação desnecessária
Bento Prado de Almeida Ferraz Júnior, ou Bento Prado Jr, ou Bentão: não importa o nível de proximidade, é muito provável que – se você estuda filosofia – seus caminhos já tenham se cruzado com algum trabalho desse grande professor, orientador, tradutor... poeta. Filósofo. A seu trabalho mais conhecido, Presença e campo transcendental(1988), seguem-se Filosofia da psicanálise (1991), Alguns ensaios (2000), Erro, ilusão, loucura (2004) e A retórica de Rousseau e outros ensaios (2008) – o que, por si só, justificaria essa homenagem. Mas Bento fez mais pela filosofia brasileira, e as centenas de professores de filosofia que assistiram suas aulas, receberam orientação ou foram ajudadas de algum modo sabem disso. Assim, a Revista Sísifo, em reconhecimento desse trabalho convida todos a colaborarem.
O dossiê será publicado em fevereiro de 2018, numa edição especial da Revista Sísifo. O prazo para envio de artigos em submissão espontânea é até 10 de janeiro de 2018. Os artigos devem ser enviados para o e-mail sisiforevista@gmail.com, de acordo com as regras estipuladas na seção "Submissão".
Luciano Donizetti
(organizador)

Chamada referente ao dossiê Mulheres e Filosofia


            Ao longo da história da filosofia, mulheres foram excluídas da produção de conhecimento e desacreditadas no papel de filósofas. A filosofia tem sido um conhecimento dos homens. Essa invisibilidade epistemológica provoca o silêncio em torno da produção de mulheres do passado e das de hoje, desencorajadas a se aproximar da razão, manejar conceitos, produzir conhecimento. Isso se fez devido à relação de exclusão criada entre o feminino e a razão. O sujeito do conhecimento, apesar de ter sido sempre tratado como universal e, por vezes, transcendental, sempre teve gênero, raça e lugar implícito a seu pretenso caráter científico. O feminino foi através das teorias modernas – sejam as teorias epistemológicas, sejam as teorias políticas e de ética –, assimilado com o espaço privado, o cuidado, a sensibilidade que, não por acaso, é colocado por essas teorias como tendo papel secundário em relação à razão, que organiza o conhecimento científico e a vida pública da política. Os exemplos de posicionamentos misóginos aparecem em grande número e permeiam grandes obras de vários cânones da história da filosofia. À mulher, o outro da razão, não cabe o exercício da filosofia que, apesar de ter abandonado atualmente em grande medida o caráter metafísico que lhe foi constitutivo, ainda opera através de uma linguagem generalista que se pretende isenta das relações de poder que permeiam as relações entre gênero, raças e etnias.
Ao propor um dossiê sobre a relação das mulheres com a filosofia, buscamos expor a presença das mulheres na filosofia, apresentando-as como protagonista na história do conhecimento e quebrando o padrão masculino hegemônico. O dossiê busca abrir espaço para discutir gênero como conceito filosófico, expondo essa categoria que normalmente é desconsiderada pela investigação filosófica, inclusive pela filosofia contemporânea. Porém, indo além desse debate, o dossiê pretende também lançar luz sobre a obra de filósofas, independente do tema discutido por elas. Evidenciaremos a mulher como sujeito do conhecimento, apresentando filósofas com obras expressivas, criadoras de sistemas e ricas leitoras de seu tempo. Para realizar essa reflexão, sugerimos o diálogo com obras de autoras como Hannah Arendt, Simone de Beauvoir, Judith Butler, Edith Stein, Mary Wollstonecraft, Nancy Fraser, Dorit Bar-On, Chantal Mouffe, Rahel Jaeggi, Angela Davis, Gayatri Spivak, Iris Young, Simone Weil, entre outras, abordando os temas investigados em suas obras.

O dossiê será publicado na edição de novembro de 2017 da Revista Sísifo. O prazo para envio de artigos para publicação nesta edição encerra no dia 10 de outubro de 2017. Os artigos devem ser enviados para o e-mail sisiforevista@gmail.com, de acordo com as regras estipuladas na seção "Submissão". 

Karla Cristhina Soares Sousa
Laiz Fraga Dantas
Organizadoras


Chamada referente ao dossiê Política, comunicação e cultura da Revista Sísifo.
[encerrado]
Os meios de comunicação têm se popularizado com o passar dos tempos. Na Grécia antiga tinha-se o teatro e a poesia, na modernidade a imprensa transpôs fronteiras até então impensadas. Estes meios utilizados para se reportar à população foram se ampliando: o número de jornais impressos aumentou com o número de pessoas que aprenderam a ler; veio o rádio e, em seguida, a pintura, que era de acesso aos poucos nobres ou burgueses consumidores, se alia à fotografia, que com suas técnicas de reprodução ampliam o público admirador dos pintores; da fotografia nasce o cinema, que juntos levam narrativas a todos os cantos do mundo. No século XXI, a internet afirma-se como mass media e desencadeia grande revisão em torno dos debates ligados à comunicação. Para muitos autores, o importante a notar é que subjacente a todos estes meios existe a proliferação de um discurso, de uma ideologia – já que apostam que nunca há discurso livre de alguma ideologia. Platão denunciava a corrupção da ética da população grega promovida pelos poetas; o filósofo contemporâneo denuncia o uso das peças de ficção (em televisão, rádio, cinema e mídias impressas e eletrônicas) como meio de propaganda dos governos e do grande capital.

O dossiê Política, comunicação e cultura procura desenvolver um debate em torno de questões como: quais os usos possíveis dos meios de comunicação? Em que medida os meios de comunicação de massa podem estreitar a distância entre bem estar social e pujança tecnológica? As redes sociais são mesmo linhas de fuga, zona de autonomia? É possível encontrar nestes meios alguma linguagem que comunique conhecimentos considerados “mais sofisticados” como a ciência, a filosofia e a arte sem que os conteúdos destas práticas sejam subtraídos ao leitor comum? O dossiê propõe ainda uma reflexão sobre a promíscua relação entre os que detêm os monopólios dos meios de comunicação e, simultaneamente, ocupam as mais variadas cadeiras do poder institucional; os efeitos culturais de tal relação em uma sociedade que insiste em não democratizar os seus veículos comunicacionais. Para a realização desta reflexão, o diálogo com a obra de autores como Hannah Arendt, Guy Débord, Noam Chomsky, Jean Baudrillard, Nancy Fraser, Theodor Adorno, Walter Benjamin, Antonio Gramsci, Michel Foucault, Jean-Paul Sartre e Jacques Rancière será muito bem-vindo.

O dossiê será lançado na última semana de maio no site da Revista Sísifo. O prazo para o envio de artigos é até 09 de abril. Os artigos deverão ser enviados para sisiforevista@gmail.com, de acordo com as regras de submissão que podem ser consultadas aqui ou na seção "Submissão".

Marcelo Vinicius, 
Rodrigo Araújo, 
Yves São Paulo
Organizadores